Ir para o site

Ir direto para o conteúdo

Blog Bem Zen

Eu, você e a natureza

Namaste !
Existem amigos que a gente vê poucas vezes mas guarda no coração enquanto cada um segue trilhando pelas tantas trilhas que a vida vai nos apresentando. Um desses bons amigos que tenho é Dener Giovanini – ele criou e dirige a ong Renctas (www.renctas.org.br), responsável por um dos mais vigorosos trabalhos que conheço em defesa da fauna brasileira.
Dener tem um blog abrigado no Estadão.Com.Br de nome “Reflexões Ambientais”, e semana passada me honrou com a publicação de um texto meu para a inauguração do espaço que ee batizou “Reflexões Convidadas”.  Para abrir este novo espaço, o amigo me pediu um texto que fizesse a ponte entre Natureza e Espiritualidade.
É este texto que agora comparto com a comunidade BemZen:
EU, VOCÊ E A NATUREZA
O que chamamos “doença” ocorre quando algo em nosso corpo se desalinha e passa a causar o mal funcionamento também de um outro órgão – e assim por diante levando a enfermidades de maior ou menor impacto. O organismo perde a unidade (organicidade), fragmenta-se, entra em conflito interno.
Ocorre a mesma coisa com o organismo que chamamos Planeta Terra: a devastação de uma floresta de topo de montanha, por exemplo, vai chegar nas primeiras páginas dos jornais e na telinha da sua tevê na forma de deslizamento de terra, soterramento de casas, mortes, dramas familiares. Os desastres naturais não são, em sua maioria, tão “naturais” assim: quase sempre são consequência da perda de unidade do ecosistema provocada pela ação humana. Por isso, assusta-se o mundo com o modelo de desenvolvimento chinês. Por isso, o mundo acompanha com ansiedade o que será do Código Florestal Brasileiro.
Desta forma, a crise ambiental que está na agenda de cada cidadão e governante em qualquer canto do planeta nos está trazendo muita clareza sobre o real significado de “unidade”.
A idéia de que “somos todos Um” ou de que “a Terra é nossa casa comum” é uma idéia bonita, mas tem sido apenas uma idéia ao longo da história humana.  Na verdade, o processo civilizatório tem sido a história não da unidade entre os homens e dos homens com a natureza, mas uma história de guerras, dominações, intolerância, opressão. Uma história de separação entre homens e mulheres, raças, culturas, crenças, nações.
O sentimento de “separação” tem sido uma produção da mente humana. A mente é um instrumento de medição. O que ela sabe fazer é dividir, separar, analisar, julgar. É uma ferramenta que se afia na pedra dura da dualidade (bom e ruim, feio e bonito, gosto e não gosto…). Quando  o Ser Humano sabe usá-la para os fins onde cabem a análise e o julgamento (o mundo das ciências, por exemplo), desfruta de bons proveitos. Mas quando o Ser Humano deixa de comportar-se como o senhor para tornar-se o servo deste mecanismo, colhe sofrimentos.
Em torno da questão “separação” versus “unidade” é que basicamente se dá a jornada da espiritualidade ou da religiosidade.
O sofrimento é, na concepção dos “ buscadores espirituais”, aquilo que a mente faz dos problemas. Em outras palavras: há uma circunstância que se apresenta como um problema e se em torno dele você se identifica com o processo mental de produção de pensamentos que fazem análise/julgamento, certamente haverá sofrimento. Quando você se pega pensando “logo comigo, que injustiça”, “puxa, não deveria ser assim, deveria ser assado”… você criou sofrimento em torno do que era apenas um problema. Por que ? Porque você criou histórias em torno dos fatos, construindo um véu de imaginação/ilusão que encobre a vida como ela é.
Os indianos chamam de “maya” o produto desta interferência da mente, a ilusão que substitui a realidade e lança os humanos à dor emocional e ao vazio existencial.
Para o “buscador espiritual”, o êxtase da jornada ocorre quando desidentifica-se da ferramenta “mente” e volta para casa, re-conectando o Ser Original ou a Consciência Plena, não-dual, assentada na Unidade: aqui residem  bem-aventurança, quietude, silêncio, alegria e amor incondicionais. Aqui o Ser mais que reconhece, encarna, o que era apenas uma idéia: a Unidade.
O Ser Realizado é Um consigo mesmo (não fragmentado, não conflitado). Liberto da prisão que é a identificação com o processo mental, torna-se Um com a natureza, é um com o Universo, é Um com Deus. E sendo Um com a natureza, não a destrói.
Assim, oxalá a crise ambiental nos faça ver a miséria a que nos conduz a falsa sensação de separação entres os homens, deles para com a natureza, entre as nações…
Que todos os santos nos guiem para que os caminhos de realização espiritual nos tragam de volta à Unidade com todas as espécies.

* Se você quiser ler no blog do Dener, este é o link:  http://blogs.estadao.com.br/dener-giovanini

Sobre Swami Devam Bhaskar

Instrutor da Oneness University (Índia), consultor na área da comunicação para a transformação social e jornalista dedicado aos Direitos Humanos, Bhaskar é discípulo de Osho desde 1982. Viveu na comunidade de Rajneeshpuram em 84 e 85, onde entrevistou Osho em três oportunidades: duas vezes para o Correio Braziliense e uma vez para a Folha de S. Paulo. Osho lhe deu o nome Swami Devam Bhaskar (do sânscrito Divino Deus Sol). Em 2005 conheceu os avatares Sri Amma e Sri Bhagavan, fundadores da Oneness University (Universidade da Unidade) e em 2009 passou a ministar workshops de crescimento espiritual, incluindo iniciação dos participantes como Doadores de Diksha (a Benção da Unidade). Como jornalista (normalmente assina como Geraldinho Vieira), dirigiu a ong ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância (atualmente ANDI - Comunicação e Direitos) e escreve aos domingos para o Blog do Noblat sobre temas relacionados à agenda dos direitos humanos. Ainda sobre temas de espiritualidade, escreveu também para a revista Época Negócios, Guia Lotus, Jornal de Brasília e Correio Braziliense. Bhaskar vive na Chapada dos Veadeiros (Goiás), casado com a fotógrafa Mila Petrillo (Ma Anand Niranjana).

Comentários

  1. Alex Braha says:

    Grande Bhascar…

  2. Bhaskar …reando
    Assim é, se lhe parece. E de interpretações variadas, surgem variadas versões, conscientes de que nem tudo é verdade. É o drama Pirandeliano, onde todos são personagens que buscam, cada um a seu modo, o autor.E assim se esquecem do autor que vive em cada um de nós. Para termos um mundo melhor, é preciso assumirmos o papel de protagonista da parte que nos cabe neste latifúndio.Um abraço amigo.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>